As demonstrações contábeis são um conjunto de relatórios elaborados pela contabilidade da empresa, que visam apresentar a situação financeira e patrimonial do negócio em determinado momento.

Por meio dessa peça contábil, gestores, fornecedores, bancos e governo têm a real noção sobre as contas e as movimentações realizadas em um período.

Além de ser uma obrigação legal, as demonstrações contábeis são uma importante ferramenta de gestão que podem ser utilizadas para diversas finalidades, como a tomada de decisões gerenciais importantes para a companhia.

A importância das demonstrações contábeis é tanta que elas são exigências para obter acesso a uma série de benefícios, desde a contratação de uma linha de crédito junto a um banco até a participação da empresa em um processo de licitação ou concorrência pública.

Devido à grande importância que as demonstrações contábeis têm para as empresas, escrevemos este post para detalhar algumas questões pontuais sobre elas, as quais você, enquanto gestor, deve ficar atento. Confira:

As demonstrações contábeis e a sua importância para a empresa

As demonstrações contábeis são um conjunto de documentos e relatórios que revelam a situação financeira e patrimonial da empresa em um exercício social, ou seja, um ano-calendário.

Elas são o produto de todo o trabalho da contabilidade de uma empresa. Mensalmente, são enviados a esse setor toda a movimentação financeira, contas a pagar e a receber, faturas emitidas, compras realizadas, empréstimos e tudo o que modifica a sua situação patrimonial e financeira.

De posse desses documentos, a contabilidade realiza os lançamentos contábeis informando cada um desses fatos de modo padronizado com o objetivo de gerar os demonstrativos obrigatórios.

Nas demonstrações contábeis de uma empresa, deve constar:

  • Balanço Patrimonial;

  • Demonstração de Resultados;

  • Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) ou Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL);

  • Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC);

  • Demonstração do Valor Adicionado (DVA) se for exigido;

  • Notas Explicativas.

lei № 6.404/1976 determina como devem ser apresentadas cada uma das demonstrações supramencionadas. Além do dispositivo legal mencionado, a ITG 1000 estabelece as normas para apresentação das demonstrações contábeis das Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP).

Além dessas, temos a ITG 2000 que indica quais os tipos de demonstrações contábeis que devem ser elaboradas pelas empresas sem fins lucrativos.

Tipos de demonstrações contábeis

O Balanço Patrimonial

Trata-se de uma demonstração contábil que visa apresentar os dados gerais de uma empresa em determinado período. Nela constam os saldos de todas as contas.

O Balanço Patrimonial é de longe o mais conhecido e importante indicador contábil de uma empresa. É por meio dele que a situação financeira da companhia é conhecida — e exposta — por todos os envolvidos em sua gestão, dos diretores ao contador responsável pelas informações da demonstração contábil.

O Balanço Patrimonial é dividido em três grandes grupos:

  • ativo, que são todos os bens e direitos de uma empresa, ou seja, tudo o que ela possui, como: dinheiro em espécie, saldo bancário, aplicações, estoques, clientes a receber e bens imobilizados (terrenos, carros, equipamentos etc.);

  • passivo, em que são registradas todas as despesas que a empresa possui com terceiros e com os sócios. Podemos citar como exemplos de contas do passivo: fornecedores a pagar, empréstimos e financiamentos em andamento;

  • e o patrimônio líquido, em que estão registrados o capital social, reservas e os lucros e prejuízos acumulados ao longo dos períodos.

O grupo dos ativos é dividido em dois subgrupos: os ativos circulantes e os ativos não-circulantes. A principal diferença entre ambos está no prazo de liquidez (prazo necessário para converter os ativos em dinheiro):

  • ativos circulantes são aqueles ativos em dinheiro, ou que podem ser transformados em dinheiro em um prazo inferior a um ano (aplicações financeiras, dinheiro mantido em caixa, capital de giro, etc.);
  • ativos não-circulantes são os ativos que podem levar mais de um ano para serem convertidos em dinheiro. Um exemplo são os chamados ativos imobilizados (máquinas, terrenos, plantas de construção, etc.).

A Demonstração de Resultados

Também denominada de Demonstração de Resultados do Exercício (DRE), essa demonstração contábil mostra basicamente o lucro ou o prejuízo apurado em um exercício social.

A diferença entre essas contas deverá ser o resultado, positivo ou negativo, que será apurado ao término do exercício, sendo esse valor utilizado para informar na ECD e EFD-ECF, que substituíram a declaração do Imposto de Renda da empresa.

Segundo o Manual de Contabilidade Societária, criado pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (FIPECAFI), a DRE é definida como “uma apresentação resumida das operações realizadas pela empresa durante o exercício social, de forma a destacar o lucro líquido do período”.

Portanto, a DRE cria uma representação das movimentações da empresa durante o exercício, de modo a verificar se houve ganhos ou prejuízos em suas operações.

Ao contrário da Demonstração de Fluxo de Caixa, a DRE inclui processos e custos intangíveis, como a depreciação, e não inclui prazos de recebimento de receitas ou de pagamento de contas. Ela informa os resultados, mas sem colocar prazos ou datas de efetuação.

Atualmente, é realizada no ambiente do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) por meio da Escrituração Contábil Fiscal (ECF) se a empresa for tributada pelo lucro real ou presumido.

A forma de elaboração da DRE pode variar entre as empresas. No entanto, a Lei 6.404/76, conhecida como Lei das S/A, determina regras gerais para a sua confecção, as quais devem ser observadas e seguidas durante o processo.

A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA)

A Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) é um documento que apresenta as movimentações que aumentaram ou diminuíram os valores constantes da conta do patrimônio líquido.

No entanto, a lei permite que as empresas substituam esse informativo por uma única demonstração contábil chamada de Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL).

Por ser um demonstrativo mais completo e abrangente, muitas empresas optam por informar somente ela, uma vez que as informações que constam na DMPL atendem todas as exigências da legislação, referentes às movimentações do patrimônio líquido.

A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC)

A DFC trata, basicamente, dos movimentos de entrada e de saída de recursos nas contas de caixa de um negócio e, assim como as demais demonstrações citadas, deve constar nas demonstrações contábeis de uma empresa.

Em resumo, ela mostra todas as entradas e saídas de recursos da empresa durante o exercício, com o objetivo de identificar a disponibilidade financeira no período.

Trata-se de um dos documentos mais importantes dentro de uma demonstração, pois permite aos gestores dar um passo além da contabilidade padrão e investigar se, além do lucro gerado pela empresa, existe dinheiro disponível para o pagamento das contas de curto prazo.

Ela é segmentada em três grandes áreas:

  • atividades operacionais: valores em caixa que foram gastos na prestação de serviços ou venda de mercadorias realizadas pela empresa;

  • atividades de investimentos: recursos destinados à aquisição de bens imobilizados;

  • atividades de financiamentos:  recursos utilizados para o pagamento de empréstimos, financiamentos e dívidas com os sócios.

A Demonstração de Valor Adicionado (DVA)

A DVA é uma demonstração voltada exclusivamente para empresas de capital aberto, as famosas sociedades anônimas (SA), por força da Lei 11.638/07.

Empresas de capital fechado também podem publicar uma DVA para fins gerenciais, embora não sejam obrigadas pela lei.

O indicador de Demonstração de Valor Adicionado tem como objetivo analisar o peso das atividades da empresa em um nível macro, mostrando a riqueza gerada pela empresa durante o exercício, dentro do setor ou economia no qual ela está inserida.

Esse indicador geralmente é utilizado por entes governamentais (municipais, estaduais e federais) com o objetivo de avaliar o impacto que a entrada de uma empresa pode trazer em suas economias, seja ela nacional ou estrangeira.

Segundo a Norma Brasileira de Contabilidade T 3.7 (NBC T 3.7), a estrutura de uma DVA deve conter os seguintes pontos:

  • receita bruta e outras receitas, como vendas de mercadorias e serviços, ganhos com investimentos, outras receitas decorrentes da atividade-fim;
  • insumos adquiridos de terceiros, como mercadorias e serviços e demais custos operacionais (telefone, água, conta de luz, etc.);
  • valores retidos pela entidade, como depreciação, amortização e exaustão;
  • valores adicionados recebidos, valores recebidos pela empresa, como dividendos, receitas de alugueis ou royalties (quando a entidade não tiver como objetivo tal atividade);
  • distribuição do valor adicionado: aqui devem constar os gastos referentes ao pagamento dos colaboradores (salário e encargos sociais), governo (impostos, taxas e contribuições), agentes financiadores (empréstimos e financiamentos), acionistas (dividendos e juros sobre capital próprio) e participação nos lucros.​​​   

As Notas Explicativas

Segundo a Lei 6.404/76, “as demonstrações serão complementadas por Notas Explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício”.

As notas explicativas são inseridas nas demonstrações contábeis de uma empresa com o objetivo de informar diversas questões pontuais existentes em alguns dos documentos que compõem essa obrigação.

Portanto, elas servem como um complemento para a demonstração, de modo a esclarecer informações sobre a situação patrimonial da empresa.

Elas podem fazer referência a qualquer item das demonstrações, no entanto, podemos mencionar como principais as notas explicativas das contas de:

  • caixa;
  • bancos;
  • aplicações financeiras;
  • empréstimos e financiamentos;
  • distribuição do capital social.

Como realizar as demonstrações contábeis

Uma vez criada, a demonstração contábil precisa passar por uma conferência minuciosa de todos os dados e informações constantes. Esse processo é fundamental para realizar uma atualização do documento.

Existem várias formas de revisar uma demonstração contábil. Abaixo, separamos uma pequena lista com algumas dicas úteis no processo de criação e revisão das demonstrações.

Revise as declarações de pares do seu setor

Uma forma de começar uma revisão eficiente é analisar modelos de demonstrações de empresas do seu setor e verificar possíveis inconsistências.

As companhias brasileiras são obrigadas a revelarem essas informações, de modo que o acesso a elas é público.

Portanto, separe um tempo para analisar essas demonstrações e verificar as melhores práticas para implementar ou adaptar à sua empresa.

Fique atento ao formato

Tão importante quanto a clareza dos dados, para a melhor compreensão do instrumento, é o formato como eles são expostos na demonstração.

A Norma NBC TSP 1 – Apresentação das Demonstrações Contábeis, do CFC (Conselho Federal de Contabilidade), define a forma pela qual as demonstrações contábeis destinadas a atender propósitos gerais devem ser apresentadas, para assegurar a comparabilidade das demonstrações da entidade que estejam em estudo, tanto com as demonstrações contábeis de períodos anteriores da mesma entidade, quanto com as demonstrações contábeis de outras entidades. Para alcançar este objetivo, esta Norma estabelece requisitos gerais para a apresentação de demonstrações contábeis elaboradas sob o regime de competência, diretrizes para a sua estrutura e os requisitos mínimos para seu conteúdo. O reconhecimento, a mensuração e a evidenciação de transações específicas e outros eventos são tratados em outras NBC TSP.

Esta Norma requer determinadas evidenciações na demonstração da posição financeira (Balanço Patrimonial), na demonstração do desempenho financeiro (Demonstração do Resultado do Exercício) e na demonstração das mutações do patrimônio líquido e requer evidenciação de outros itens nessas demonstrações ou nas notas explicativas. A NBC TSP 2 estabelece os requisitos para a apresentação da demonstração dos fluxos de caixa.

Procure pesquisar as normas que estabelecem os padrões sobre formato, conteúdos e diretrizes para a melhor exposição dos dados da sua empresa e aplique o padrão com clareza.

Utilize um software para as demonstrações 

Em um mundo cada vez mais digital, simplesmente não faz mais sentido realizar certos processos de forma manual. O mesmo se aplica ao mundo da contabilidade.

Vários softwares no mercado já fazem todo o trabalho de compilação e organização dos dados contábeis, deixando tudo pronto para a análise de um contador.

Esses sistemas oferecem relatórios precisos e práticos, que podem ser acessados de qualquer lugar por meio de uma conexão em nuvem. Basta pesquisar e escolher qual o melhor para a sua empresa.

Inclua apresentações 

Uma atividade que várias empresas começam a incluir em suas demonstrações contábeis são as apresentações, que podem ser divididas em operacionais e não operacionais.

A apresentação operacional inclui os dados que podem ser enquadrados nas atividades recorrentes da empresa (recebimento de vendas de produtos e serviços, receitas e despesas recorrentes, etc.).

Já as não operacionais podem abarcar campanhas de capital e itens não recorrentes, como ganhos e perdas gerados pela venda de ativos da companhia.

Essas apresentações costumam incluir notas de rodapé nas demonstrações, aumentando a transparência dos dados expostos no documento.

Os benefícios da correta apresentação das demonstrações contábeis

As demonstrações contábeis, além de ser uma obrigação prevista na lei, podem trazer uma série de benefícios gerenciais e administrativos para uma empresa.

Primeiramente, as demonstrações contábeis são utilizadas como base no preenchimento EFD-ECF, evidenciando o IRPJ e CSLL apurados da sociedade.

O Balanço Patrimonial, por ser uma demonstração contábil que indica os valores constantes em cada conta que a empresa movimentou, pode servir como fonte de análise do crescimento do empreendimento. Por meio dele, são extraídos os indicadores financeiros de liquidez e endividamento, por exemplo.

As demais demonstrações são importantes para analisar o movimento ocorrido em contas específicas, como é o caso da DFC — em que são registradas as mutações da conta caixa de uma empresa — e da DMPL — que mostra os lucros e os prejuízos acumulados que interferem na conta do patrimônio líquido.

Portanto, a importância desses documentos transcende a simples exigência ou determinação legal. Eles servem como fonte de informação confiável dos resultados obtidos em um exercício social ou ano de atividade.

E então, entendeu como é feita a demonstração contábil de uma empresa e quais os benefícios dela? Gostaria de compartilhar alguma experiência no assunto? Deixe seu relato nos comentários!

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Kyvya Revoredo
Kyvya Revoredo é contadora, pós-graduada em comércio exterior pela UES. Gerencia a Contábil Rio, empresa com tradição no mercado de contabilidade desde 1955, executando um trabalho estratégico e utilizando as melhores práticas de redução de custos para as empresas.
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